HISTÓRIA CRIADA HOJE N ÃO EXISTE MACHO SEM CHANCES CARA DE PAU TOLAS ACREDITAREI NUNCA PAGA VELHO PAPO ESTRANHO DESIGUALDANTE BBVÉIO DST RETURN IMPREVIDÊNCIA GENÉRICOS CARNE PODRE CARNE FRAQUÍSSIMA CARNE FRACA 1 CARNE FRACA A MÃO DE DEUS BRT DAS ARÁBIAS 9 MILHÕES PARA CRIMINOSOS A NOVA RELIGIÃO, O “CIENTISMO” A TRÍADE MALDITA O CAPETÃO VOLTOU, O CAPETÃO VOLTOU… AS VÍTIMAS NÃO CONTAM É A FÍSICA, IDIOTA! POBRE MARACANÃ! ASSALTOS VERGONHA E AÍ, MULHERES? VÃO CONTINUAR DEIXANDO? TUDO É DADO ACIDENTE? ASSASSINATOS TÍTULOS SEM VALOR MASTURBAÇÃO GOVERNAMENTAL COBRANÇA INDEVIDA A PREFEITURA NÃO TEM DONO IMPOSTO É PAGAMENTO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇO E NÃO OBRIGAÇÃO SÃO NOSSOS SERVIÇAIS E NÃO O CONTRÁRIO NÃO EXISTE “CALAMIDADE FINANCEIRA” A ESUQUERDA NA NUVEM DEMOCRACIA NO ORIENTE E CONTO DE FADA DA KÉFERA TALVEZ SEJA ÚTIL IDOSO É SUA MÃE É BOM PRÁ QUEM TÁ DE FOLGA… PRESOS NAS CELAS DOMINAÇÃO ÓI NÓÍS AKI TRAVÊIS! A VOLTA HERÓIS ASSASSINOS POUCOS ARTISTAS PAI GORDINHO PREMONIÇÃO TEM UM EMPREGO? CARAS DE PAU – MESMO! QUEREM MATAR VOCÊ! CÂNCER PARA TODOS LOUCOS? DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS CUIDADO HAPPY FUGA DO INFERNO O INFERNO NA PRAIA PONTE PARA O NADA BURRICE FARCS AINDA VOTAM? BOBAGEM NÃO SEJA GENTIO PALHAÇADA FIM DE SEMANA MORTAL MACAQUICES SADOMASOQUISMO HAPINESS MALUQUICES DE FIM DA ANO NOVO SISTEMA DE CASTAS SOMOS TODOS COMUNISTAS DISFARÇADOS COMANDAR A VIDA NÃO SE MORRE MAIS! O MUNDO MUDOU! NÃO PRECISA MAIS MORRER! O MUNDO MUDOU! O mundo mudou. É preciso não morrer mais. Alguns seres imortais Fizeram de você um animal. HAITI, OBRA COMUNISTA A MORTE NÃO É A ORDEM NATURAL DAS COISAS O CONTROLE DA VIDA TÃO DE OLHO NA GENTE ESQUERDISTAS SÃO LOUCOS DE PEDRA SÃO AS EMPRESAS QUE FAZEM A RIQUEZA, NÃO O ESTADO SUS, UM ABSURDO FINITO VELHO CHOCO MAIS UMA VEZ PO TSE EXTRAPOLA SALÁRIO MÍNIMO, LEIS TRABALHISTAS, DESEMPREGAM 12.O000.000

DINHEIRO – CONTINUAÇÃO

About

O Jornal Almar tem como objetivo levar o conhecimento da Realidade (que, por incrível que possa parecer, tanto não pode ser percebido pelos sentidos, quanto é ignorado por todas as instituições humanas) mas de forma leve, agradável, mesmo divertida. Através de textos atuais, personagens fictícios, discussão do que acontece no mundo das pessoas e todas as formas que forem possíveis e necessárias para levar a Realidade aos seres humanos, porque não podem mais continuar ignorantes dela.

Encontrei um bilhete do Homero para dona Lucinha.
Tem coisa aí.
Homero esta na faixa de idade de Dona Lucinha. Viúva, quem
sabe…
Mas, está certo – e acho que está, Homero, eu, Dona Lucinha esse
calhamaço onde faço esse quase diário – bem, chamar isso de diário é
exagero, nem semanário, muitas vezes mesário ou até anuário – só
escrevo aqui quando me lembro.
Não comecei a escrever no manuscrito no primeiro momento,
apenas quando fui fazer uma das muitas reedições. Quando eu comecei a
escrever ainda não tinha Dona Lucinha como secretária – e nem tinha
empregado algum, meu escritório de Campo Grande era escritório só no
nome, era eu e mais eu.
E minha Ju, maravilhosa, que se despencara da Zona Sul para
morar com o baixinho, não o do futebol, mas eu.
Mas o Homero é uma figura. A peça só vem de terno – com colete
e tudo e, pasmem, um chapéu de coco!
É, chapéu de coco! Num mundo onde a galera anda de chinelos
de dedo, bermudão colorido e camiseta cavada – isso quando tem
camiseta, que a moçada claramente começa a retornar à selva, apesar do
ultravioleta do buraco da camada de ozônio que esta torrando a pele das
pessoas, para felicidade dos oncologistas que disputam com os papa
defuntos a clientela – mas parece que está 200.000 a zero pra turma da pá
e o caixão – isso se considerarmos os coveiros no páreo. Parece que outra
boa profissão, agora, será dono de cemitério, ainda que nas
“comunidades” (favelas disfarçadas de socialismo) haja um tipo novo de
cemitério – os micro-ondas, forma moderninha de crematório popular…
O Homero é um fóssil popular. Mora na Jaqueira, uma
comunidade perto do Maracanã. Minha tia, quando passávamos perto da
Segunda Estação, porque a favela ficava em frente á segunda estação do
trem, dizia que no futuro a Jaqueira seria uma cidade, porque o povo que
morava lá era gente boa e transformariam aquilo num paraíso social. Não
foi. A Jaqueira tem bandido – inclusive na direção da escola e hoje é um
gueto, praticamente um pequeno reino dentro da cidade, comandada pelo
chefe do tráfico. Homero mora lá, por incrível que pareça.
Fico imaginando a peça chegando no morro, terno bege, sapatos
marrons, chapéu de coco bege, caminhando lentamente. Posso ouvir até a
gozação dos milhares de trombadinhas e pivetes que pululam por aí,
pequenos diabos selvagens pré-criminosos – muitos criminosos já aos
dez, doze anos, alguns já portando fuzis de guerra quase do tamanho
deles – a sorte deles é que essas modernas armas praticamente não têm
recuo, porque, se tivessem, eles seriam arremessados em seus pequenos
corpos para trás, quebrando ossos, etc.
Homero chega em casa. A filha mais velha, que toma conta de
tudo, feia como o juízo final, foi destinada por sua feiúra e pelo visível
complexo de Eletra para cuidar do pai, que caminhava, de terno e chapéu
de coco para uma velhice muito pobre, principalmente porque era meu
empregado – coitado.
Isso até eu deslanchar como o maior vendedor de livros do Brasil
e um dos maiores do mundo, uma celebridade, graças ao G – bem que eu
sempre pedi para ele aparecer e dividir os louros (e morenos…) no que
me concerne, poderiam ficar com os dois, eu sempre só quis a grana, mas
alguém tinha de estar na linha de frente, assinando os livros – isso deu até
um charme, o editor assinando pelo escritor, nascido há quatro ou seis
mil anos, nunca ficou muito claro. Recebi centenas de cartas de fãs
apaixonadas pelo Sarggon, com as mais loucas propostas – honestamente
passei todas elas para o G que jamais as comentou, pegava o envelope,
colocava debaixo do braço e sumia)
Agora, o Homero ficou bem. Eu aumentei o salário dele, ele
agora ganha como executivo – pudera, tem de manter meu escritório, que
fica exatamente no antigo apartamento de Dona Nimba, a promoter de
arte, como ela se auto denominava, no fim da vida e da carreira.
Justamente quando ela deixou de ser mutreteira artística e tentou ser uma
profissional legal, a arte plástica popular acabou no Rio e ela, em
seguida, teve um aneurisma cerebral e morreu, me deixando o
apartamento.
Eu já estava em Campo Grande tocando minha editora, mais ou
menos no momento em que G apareceu. Quando a coisa estourou,
transformei o apartamento em escritório. Verdade que tive de comprar o
condomínio para mudar a convenção e deixar que fizessem um escritório
no prédio, mas os moradores adoraram quando eu coloquei um
verdadeiro exército tomando conta das velhinhas e velhinhos do prédio,
que a faixa etária era matusalênica no condomínio e segurança era já
essencial no centro do Rio. Isso sem falar no banho de loja que dei no
prédio, por dentro e por fora, sem o condomínio pagar um tostão.
É claro que seria muitíssimo mais barato comprar um conjunto de
escritórios num dos excelentes prédios comerciais do Rio, mas é uma
questão sentimental, não queria sair do apartamento onde fora criado e
nem a vista maravilhosa. Como tinha grana, banquei – e meu escritório
ficou lá.
Verdade que o escritório tinha pouquíssimo movimento, uma
editora de um só escritor – eu me livrara de todos os outros, transferi-os
para outras editoras e fiquei só com o G, ele me bastava e me fazia rico.
Foi aí que coloquei o anúncio e os dois apareceram no mesmo
dia, Dona Lucinha e Homero. Fiquei com os dois.
A circunspecção de Dona Lucinha, uma mulher sólida, mais alta,
que eu e duas vezes maior – deveria pesar uns cem quilos, séria, cara
fechada, voz grave, inspirava respeito. Mostrou-se excelente digitadora,
formidável recepcionista e, viúva sem filhos, era praticamente solteira.
Morava em Ramos, num apartamento antigo de um conjunto residencial
de uma categoria que nem sei qual é, mas cada prédio do conjunto tinha
quatro apartamentos por andar, comprado pelo marido, com quem já
casara velho e que morrera sem deixar herdeiros.
A pensão tinha encolhido – no Brasil, aposentar-se sempre foi
miserização e ela agora tentava viver com salário mínimo, que mal dava
para pagar o condomínio, impostos, etc. Assim, tinha de trabalhar, estava
ficando velha, em cima de seus cinqüenta anos, sozinha. sem o cobertor
de orelhas falecido e sem ajuda mais alguma, me achara. Foi uma mão na
roda.
Homero chegou com seu terno e chapéu de coco – ele tinha
vários, que mudava semanalmente.
Depois descobri que o terno era um uniforme de trabalho, que
chegado em casa, Homero tirava a armadura e vestia a roupa tradicional
da Jaqueira, chinelos de dedos vagabundo, bermuda vagabunda, camiseta
sem mangas larga, boné. Assim, ele sumia no meio da cachorrada. Ficava
invisível.
A armadura ele vestia apenas para trabalhar.
Ele aprendera isso quando fora engraxate.
Desde garoto, Homero (seu Mero, para os íntimos), vivera
engraxando sapatos pelas ruas da cidade. Moleque ainda, vira uns amigos
faturando uma grana bem boa. Foi pra casa, pegou um caixote, serrou,
pregou e fez sua primeira empresa, sua caixa de engraxate.
Era um objeto retangular, com um suporte em cima para o freguês
estacionar o sapato, um de cada vez. Havia uma gavetinha, virada para o
lado do engraxate, que, por sua vez, sentava-se num minúsculo
banquinho que era, na verdade, um grosso T cuja haste era uma perna de
3 encimada por um quadrado de 10×10 de tábua de 2 cm de espessura.
Na gavetinha ficavam graxa, flanelas (várias, uma para cada etapa da
operação, feita com minúcias de UTI, escovas (dura, fina – de lustro,
pretas, marrons, uma escova de dentes para espalhar a graxa e um farrapo
com uma garrafinha de álcool para limpar sapatos mais sujos. Faturou
muito, até ficar adulto. Aí apareceram os tênis.
No princípio, eram poucos, agora até de terno (costume, melhor
dizendo, isto é, calça e paletó, sem colete) se usa de tênis. Ainda há quem
use costumes e ternos, mas como são poucos e a concorrência grande e
como os executivos não mais têm tempo de sentar, relaxar e ler um jornal
enquanto o engraxate lustrar seus pisantes, resolveu mudar de profissão.
Mas não antes da tentativa final.
Em dado momento, conforme a violência aumentava na cidade,
cada vez mais ficava difícil firmas e repartições permitirem o mulato feio
entrar vestindo calças e camisa comuns. Então apelou. Comprou três
ternos de microfibra, trinta dólares cada, aproximadamente, um preto, um
marrom, um azul, para não parecerem os inevitáveis respingos e manchas
de graxa. Os cinza e bege vieram depois, como contínuo e “técnico de
manutenção e higiene”, como se auto intitulou, ao menos para mim, para
garantir o emprego – e deu certo.
Hoje tenho uma secretária-recepcionista-mãe de aluguel e um
técnico de manutenção e higiene, ela atende os telefonemas e quebra os
mais incríveis galhos profissionais, ajuda nos meu relacionamento com
minha Ju e um boy faxineiro.
Assim, antes de desistir, Homero passou a ser um engraxate
executivo. Só que ele passou para o outro lado, na visão do exército de
vagabundos e assaltantes que se espalham pelas ruas da cidade,
fabricados pela burrice ideológica. Como vestia, agora, um terno decente,
com colete e tudo, camisa impecável e acima de tudo o chapéu de coco,
inspirado num antigo compositor da Jaqueira, deixou de ser um ninguém
invisível para ser um assaltável.
No terceiro assalto, quando levou até umas porradas depois que
os garotos de 15, 17 anos descobriram que ele era um durango, apenas
tentando trabalhar – esses bandidos teen têm mais raiva de trabalhadores
que de burgueses – eles nem sabem bem diferenciar os dois – e cobriram
o pobre coitado de sopapos.
Felizmente não se machucara muito, sua honra ficara mais ferida
que seu corpo, mas o suficiente para desistir de vez de ser um negociante
de rua. Jogou a toalha e tentou ser, pela primeira vez na vida, um
empregado.
E deu a sorte de vir cair exatamente em minha mão, exatamente
no momento em que eu estava na subida e Homero foi comigo. Logo
percebi que seria uma raridade, um empregado digno do nome, e assim,
comecei a pagar muito bem a ele, cada vez mais e, agora, o malandro
(porque é passista antigo da escola, membro da velha guarda da
Jaqueira!), macumbeiro (filho de santo de Mãe Engrácia, chefe do
Terreiro de Umbanda Ogum Megê, em Barros Filho, onde o Homero ia
finalmente fazer a cabeça. Seja lá o que isso quisesse significar. Ele me
explicou que se tratava de uma espécie de iniciação.
Ele ficaria alguns dias trancado num quarto (a “camarinha”), meio
embotado por algumas drogas alucinógenas secretas, na esperança de ter
visões e de um “espírito” se encaixar nele, ou algo assim. Quando saísse
seria já, definitivamente um “filho de santo”, começando sua iniciação
definitiva na religião.
Umbanda não é candomblé. É uma religião espírita, fundada por
um fluminense, no interior do estado, em 1915 (1908, segundos outros!).
Tem um ritual complexo, com cânticos danças, vestes ritualísticas e
“incorporação” de espíritos mais ou menos divididos em “caboclos”
(índios brasileiros) “pretos velhos” (antigos escravos) e “exus”, em geral
brancos, quase sempre ex-donos de escravos, agora transformados em
escravos. Correndo por fora, “ciganos”, “povo do oriente” e outros. Os
ritos são realizados ao som de atabaques, grandes tambores com peles de
animais, no início,e hoje com peles de plástico, que não existem mais
tantos gatos dando sopa. Homero me disse que iria passar alguns dias
fora, para fazer sua “obrigação”.
Foi assim que o assalto aconteceu, Ou quase.
Dona Lucinha tinha ido comprar alguma coisa e eu tinha muito
dinheiro vivo em caixa, que não depositara porque Homero não viera, eu
não quisera ir ao banco com tanto dinheiro e dona Lucinha também não
era uma boa idéia. Eu confiava mais na malandragem e esperteza do
Homero e preferi esperar.
Mas ladrão como que sente o cheiro de grana e eles apareceram.
Como eu estava sozinho, quando a campainha tocou fui atender.
Como eu nunca fazia isso, desprezei as mais simples regras de
segurança e nem perguntei quem era pelo interfone, nem olhei no olho
eletrônico – para mim era Dona Lucinha que voltava – mas não era. Eram
os ladrões.
Quando abri a porta o cara enfiou o revólver em minha cara:
-Perdeu, tio.
O sujeito devia ter uns dezesseis anos, se tanto. O parceiro era
mais jovem ainda, e não tinha arma. Mas se esses caras entrassem em
meu escritório eu estava frito, pois vira o instinto assassino nos olhos do
pequeno bandido. Cheios de ideologia, certamente ele me via como um
burguês explorador do povo – eu e não ele, quem portava o revólver. Em
sua mente distorcida pelos chavões e condicionamentos ideológicos, não
era ele o criminoso, era eu e, certamente esperava uma oportunidade para
eliminar o porco capitalista. Uma barra. E pensar que eu participara de
trocentas passeatas, na década de setenta, para tirar os milicos do poder.
Dera nisso.
Agora era tarde para chorar pelo leite derramado. Mas
derramados mesmo pela cidade e pelo mundo, talvez, estavam milhares
de outros monstrinhos como ele, prontos para matar por nada. E nada se
poderia fazer por ele. Foi aí que me lembrei do texto de G e do que ele
me disseram nos longos telefonemas em que ele tentava me explicar a
teoria de Sarggon.
Como eu aprendera, tudo está interligado. O bandidinho também.
Eu, ele e seu comparsa éramos parte da mesma partícula Z. Só
que eu era um ser mais auto controlado e os bandidos apenas
condicionamentos ambulantes. Nada deveriam ter dentro deles, a não ser
seus condicionamentos.
Eu não tinha nada a perder. Se houvesse mesmo a possibilidade
de mudar de quadro quântico, seria a hora que eu iria fazer.
E agi como G me ensinara, tempos atrás, sem pensar em nada,
apenas sentindo o frio do cano do revólver encostado em meu nariz,
coloquei em minha mente os dois bandidos indo embora – e pedindo
desculpas.
Ali, olhando os dois marginais, mas me esforçando titanicamente
para nada sentir a respeito deles – se eu me emocionasse, certamente
estabeleceria um elo entre eles e eu e eu passaria a ser dominado
psicologicamente por eles, assim eu os vi como apenas elementos de meu
mundo e nada mais. Coloquei a cena na mente e a vi realmente acontecer,
enquanto olhava através deles, como uma mãe olha através do filho, o
“olhar de mãe”.
Deu certo.
O cara olhou nos meus olhos, ficou meio desconcentrado, baixou
a arma, abaixou os olhos e disse, quase murmurando, sem olhar para
mim:
-Foi mal, tio – e indo embora, ainda segurando a arma, sem olhar
para trás – desculpa, tio.
E foi caminhando pelo corredor, descendo pelas escadas. Não sei
porque não pegou elevador. O pivetinho ao lado dele reclamando:
-E o ganho da gente?
-Fica na tua, babaca, ou vai sobrar pra tu – e desapareceu.
Segundos depois a porta do elevador se abre e entra Dona
Lucinha, com dois enormes seguranças ajudando-a a carregar uma
infinidade de sacolas biodegradáveis (que estavam entrando em moda,
nisso agora do sustentável). Mas era tarde e, de qualquer forma fora
melhor assim. E percebi que, graças a G, eu estava aprendendo a
controlar meu universo.
-Tudo bem, doutor (todo mundo me chamava de doutor, na
editora e eu deixava, embora nunca houvesse nem terminado o segundo
grau, saíra para montar minhas empresas suicidas), perguntou Dona
Lucinha, entrando com as sacas e os brutamontes.
-Tudo nos conformes.
E fechei a porta depois que eles passaram.
QUE VOCÊ TEM A VER COM ISSO,

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>


2016 Almar LTDA